Guia do Professor/Tutor Online
Ensinar online é uma experiência única, muito estimulante para um Professor/Tutor, mas requer algumas competências pedagógicas específicas. As notas que se seguem foram reunidas tendo em conta experiências diversas relatadas na literatura da especialidade e a experiência dos autores deste documento.
Elas procuram responder às necessidades básicas de um Professor/Tutor quando se inicia no ensino online e não constituem uma lista exaustiva de todas as questões que se podem colocar. Não têm, também, como objectivo substituir-se à experiência que cada Professor/Tutor vai adquirindo à medida que desenvolve esta modalidade de ensino-aprendizagem, pois a forma mais efectiva de adquirir competências para ensinar online é justamente “ensinar online”. Por conseguinte, estas notas constituem-se como sugestões práticas e apenas visam facilitar a tarefa dos docentes que se iniciam nesta modalidade.
Acrescente-se, ainda, que estas notas não substituem a necessidade de ajustar a sua actuação às orientações definidas pelos coordenadores do curso onde o seu módulo/cadeira se integra.
1. Ser professor/tutor online
Ensinar no ciberespaço exige mudança de práticas, de métodos e de estratégias. Mais do que uma grande familiaridade com a tecnologia, ensinar online requer competências que envolvam os estudantes no desenvolvimento dos seus próprios processos de aprendizagem.
A primeira mudança refere-se à inexistência de exposições por parte do professor. O ensino online assenta num espaço onde domina a escrita. Além do texto escrito, como substituição da exposição oral, o ensino online fundamenta-se na interacção escrita entre alunos e professor e entre alunos. Esta característica coloca ao professor algumas exigências específicas: grande precisão na linguagem a usar, instruções claras e completas, um “tom” emocional afável.
Numa segunda fase, importa salientar que, na ausência de uma presença física como numa classe presencial, é determinante a construção de um comunidade virtual, onde a personalidade de cada aluno possa emergir e os diferentes estilos se possam compatibilizar. Os alunos introvertidos têm mais facilidade em se adaptarem ao ambiente virtual e à ausência de oralidade. Os extrovertidos, por seu turno, têm maior necessidade de sentir a presença dos outros, incluindo a do professor. A construção de espaços de interacção informal entre todos é uma forma de propiciar encontros “escritos” onde se poderão desenvolver laços de amizade, de respeito e de troca de experiências para além dos assuntos a abordar na disciplina. A formação de uma comunidade deste tipo dá ao aluno segurança, ao mesmo tempo que dilui sentimentos de isolamento, de angústia e de abandono.
A existência de uma comunidade virtual é particularmente importante para a criação de um clima seguro para a adopção de regras comuns e para a construção conjunta de saberes, numa vertente de aprendizagem colaborativa. Nos ambientes de aprendizagem colaborativa os estudantes trabalham em conjunto com o objectivo de atingir níveis mais elevados de compreensão dos assuntos, desenvolvendo capacidades de argumentação e espírito crítico.
Ao professor/tutor cabe a responsabilidade de facilitar a criação de uma comunidade de aprendentes, assumindo um papel activo na dinamização das discussões, na manutenção de um espaço de interacção informal, tornando-se visível sem dominar as interacções, incentivando a participação dos alunos de modo contínuo e fornecendo apoio em casos de dificuldade ou confusão.
2. A preparação do módulo/disciplina
Ser Professor/Tutor em ensino online é uma actividade que requer tempo e uma atenção permanente. O seu sucesso tem origem numa previsão exaustiva de todos os recursos pedagógicos necessários e das actividades a solicitar aos estudantes, combinado com uma previsão inteligente sobre a gestão do tempo disponível.
- Procure definir previamente os objectivos do módulo, as actividades que vai propor aos estudantes, os recursos necessários (textos, multimédia, indicações bibliográficas, referências online, etc.), os momentos de avaliação, os instrumentos e critérios de avaliação.
- Organize o Contrato de Aprendizagem do módulo/disciplina, de acordo com o período de tempo previsto para o total do módulo. Esse Contrato de Aprendizagem deverá conter os objectivos, as actividades a propor aos estudantes e os tempos previstos para cada uma, os recursos, os momentos de avaliação, os instrumentos e os critérios de avaliação.
- Tenha em conta que o tempo online é diferente do tempo presencial, isto é, é mais dilatado do que numa classe presencial. Por isso, verifique se o seu plano é realista.
- Elabore um documento definitivo que constitui o Contrato de Aprendizagem a fornecer aos estudantes no início do seu módulo, contendo os elementos definidos acima – objectivos, actividades, recursos, momentos de avaliação, instrumentos, critérios de avaliação e cronograma. Este documento deverá permitir a cada estudante conhecer o que se espera dele em cada momento ao longo do período que dura o módulo, facilitando-lhe a gestão do seu tempo e a organização atempada de um plano de trabalho pessoal.
- Organize o desenvolvimento do módulo na plataforma: criação do índice, de uma zona de interacção informal, eventual formação de equipas, etc.
- Tendo em conta o cronograma criado para o módulo, organize um plano de trabalho pessoal de forma a gerir o seu tempo de forma equilibrada, evitando o “stress” da participação excessiva ou o abandono dos estudantes a si próprios.
3. Início do módulo/disciplina
Procure estabelecer um horário adequado para entrar no módulo, interagir com os estudantes, distribuir tarefas e desenhar alterações caso seja necessário. Para além da planificação efectuada, adopte uma atitude flexível na orientação das actividades, procurando ter em conta o ritmo dos estudantes.
- Envie o Contrato de Aprendizagem que preparou aos estudantes e solicite-lhes que elaborem um plano de trabalho de acordo com o cronograma definido.
- No dia previsto para o início do módulo/disciplina, envie uma mensagem de boas vindas aos estudantes e procure explicitar as suas expectativas.
- Para além das boas-vindas esta mensagem deve clarificar um conjunto de aspectos importantes para o comportamento posterior do estudante, nomeadamente:
- a gestão do seu tempo, isto é, um eventual horário para fornecer feedback ou entrar em interacção com os estudantes;
- o tipo de participação que espera por parte deles (ex: quantas vezes espera que acedam à plataforma, obrigatoriedade de participação nos fóruns, em chats, etc.);
- procedimentos a usar na eventualidade de um estudante ter problemas técnicos com a plataforma ou desta sofrer quebras.
- Elabore mensagens simples e não muito longas. Recorde-se que a comunicação entre si e o estudante e entre os estudantes se efectua através da escrita.
- Na elaboração das mensagens procure que estas não ultrapassem a dimensão do ecrã e, no caso de ser necessário, divida-as ou utilize um ficheiro em anexo.
4. Decurso do módulo/disciplina
- Promova um fórum dedicado à interacção livre entre os estudantes. Este espaço permite o desenvolvimento de um clima emocional que favorece a motivação dos estudantes, ajuda a minimizar e a ultrapassar atritos e pequenos conflitos e favorece a formação de um ambiente “turma”, promovendo a coesão e a ajuda mútua entre os estudantes;
- Promova, mesmo que informalmente, a interacção entre pequenos grupos;
- Organize fóruns de discussão, promovendo a reflexão e o debate de ideias em torno de um tema específico, de um texto, de uma actividade;
- Incentive a participação dos estudantes, através de questões que os desafiem, problemas para resolverem, pequenas tarefas a realizar individualmente ou em pequenos grupos;
- Organize equipes de trabalho à volta de uma tarefa, fornecendo indicações claras aos estudantes;
- Incentive discussões em que os próprios estudantes possam desempenhar o papel de moderadores;
- Favoreça a troca de mensagens entre os estudantes, promovendo discussões e encontros informais entre eles;
- Procure gravar todos os documentos do curso, incluindo as discussões (fóruns ou chats), ficheiros enviados pelos alunos, etc.
5. As discussões assíncronas
O ensino online distingue-se de um programa tutorial online pela possibilidade de interacção entre todos os participantes. Essa interacção pode ser estimulada com o recurso a fóruns de discussão, em que os interlocutores comunicam em tempos diferentes. A moderação destes fóruns por parte dos tutores exige alguns cuidados.
- Estabeleça um calendário para cada discussão de forma a que os estudantes conheçam o tempo a ela dedicado e possam ter tempo de intervir e de reflectir sobre as contribuições dos colegas;
- Utilize uma questão norteadora para despoletar e centrar a discussão;
- Procure manter a discussão centrada em poucas ideias ao mesmo tempo;
- Estabeleça regras para a discussão (ex: mínimo de contribuições, como encadear as contribuições tendo em conta a existência de raízes, resposta, etc);
- Procure equilibrar as suas participações, de forma a dar espaço a que os alunos desenvolvam a sua autonomia e a não transformar a discussão numa série de perguntas/respostas;
- Elabore comentários abertos, que suscitem o debate;
- Evite comentários muito extensos e complexos já que, em geral, este tipo de comentário origina o silêncio;
- Convide os estudantes a comparar pontos de vista e a argumentarem as suas posições;
- Elabore sínteses, direccionando a discussão se esta parecer não seguir uma linha condutora ou no caso de os estudantes se desviarem das ideias em discussão;
- Realce as contribuições positivas e ignore as negativas;
- No caso de alguma postura incorrecta, reaja de imediato enviando uma mensagem privada ao autor;
- Envie mensagens privadas (via correio electrónico) aos estudantes que pretende estimular para a discussão;
- Seja paciente e não se apresse a elaborar comentários sobre o tema em discussão se notar falta de participação dos estudantes. Em vez disso, envie mensagens privadas procurando saber se há problemas técnicos ou outros.
6. As discussões síncronas
A discussão síncrona tem lugar através da ferramenta de chat. Entre as várias desvantagens que possui, exige a presença simultânea dos participantes e o consequente acerto prévio de uma data e hora de encontro. A sua utilização é útil para objectivos de comunicação específicos.
- Procure usar o chat com parcimónia; a sua utilidade reside sobretudo na possibilidade de despoletar brainstorming, de trocar impressões sobre um assunto, de combinar metodologias de trabalho ou simplesmente de promover o convívio;
- Limite o número de participantes por chat: se o número é elevado a discussão redunda com facilidade em confusão;
- Procure que o chat tenha um moderador, que pode ser o Professor/Tutor ou não. É o moderador quem faz a gestão da “conversa”;
- No início do chat dê um tempo para os diversos participantes entrarem e se ambientarem, promovendo uma pequena conversa informal;
- Organize regras para facilitar a participação de todos os intervenientes e evitar que um deles monopolize a conversa, como por exemplo:
- pedir a palavra para intervir (digitar PP);
- esperar que o moderador dê a palavra antes de digitar o texto;
- dividir a mensagem em várias frases, digitando “enter” a cada frase e digitando FIM para indicar que se terminou a mensagem.